Depois de conseguir recordes de vendagens no mercado fonográfico e públicos jamais alcançados em shows com a dupla com Júnior, Sandy lança seu primeiro cd na carreira solo, o Manuscrito. Como já dito em seu making off, a proposta da cantora ao colocar esse nome no seu novo álbum é oferecer um ar mais intimista, mostrar o estilo de música que realmente gosta e as letras que mais traduzem os seus sentimentos. Com 13 faixas inéditas de autoria de Sandy, as músicas do cd giram muito em torno de reflexões sobre o abstrato, os sentimentos que envolvem as diversas situações cotidianas. É necessário um destaque para a canção “Quem eu sou”, que se tem a impressão de ser um pouco autobiográfico, principalmente quando na letra dela tem os seguintes dizeres: “Procurando nos meus sonhos, descobrindo quem realmente eu sou”. Intui-se que seja essa a mesma sensação que a cantora deve ter sentido ao repensar sua personalidade musical para a carreira solo.
Outro ponto observado foi que a produção musical de Júnior e Lucas Lima transparece a intenção de Sandy na letra. Como na música “Dedilhada”, em que a percussão oferece uma percepção de caminhada, casando perfeitamente com a letra que diz: “Os erros meus não são iguais aos erros que deixei pra trás”. Já o teclado mostra toda sua versatilidade, marca sentimentos diferentes. Na canção Ela/Ele, ele traz um tom romântico, de história de amor e, na “Esconderijo”, uma melancolia.
Também tem como traço marcante do álbum o estilo que as músicas seguem, mais voltadas para o MPB, encontrando a mudança tão pensada pela cantora. Visto principalmente que não há mais canções daquelas que pedem coreografias programadas para o público dançar junto, como acontecia em “Eu acho que pirei”, “Vai ter que rebolar” e “A gente dá certo”.


